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13 de junho de 2018

Testemunho


Este é provavelmente o post mais pessoal que já publiquei por aqui mas dado o que vivenciei nos últimos meses considero ter esse dever!

Quando regressei da lua-de-mel em Outubro percebi que algo não estava bem comigo. Tinha sido operada em 2014, mas na altura não conhecia o diagnóstico. Fui surpreendida quando o urologista me disse, após o resultado da biopsia às massas que tinham sido retiradas, sabe que tem endometriose? Ao que respondi negativamente, ele referiu-me que também desconhecia a doença.

A partir desta data fui sempre sendo acompanhada por este médico e fazendo exames de despiste com bastante regularidade (6 em 6 meses) para perceber se surgiam novos focos. Voltaram a surgir suspeitas, tendo inclusive feito uma ressonância magnética, mas no relatório concluíram ser a cicatriz da intervenção, mas não era!

Para além das dores menstruais, as hemorragias eram cada vez mais abundantes, até que ao falar com o Professor Dr. Jorge Lima (meu ginecologista desde 2016), e mesmo sem ter feito os exames, percebemos que algo se estava a passar. Desta vez fui logo bem encaminhada pelo Professor, tendo feito exames com uma médica especializada na área, que me disse não restarem dúvidas que tinha uma grande massa na zona da bexiga, onde havia sido operada, e outra junto ao intestino. Na altura também me disse que a endometriose de “benigna” só tem o nome, porque ao alastrar para os órgãos pode por o funcionamento dos mesmo em causa, podendo, no limite, conduzir à sua remoção cirúrgica total ou parcial. Tendo perdido os meus pais e outros familiares próximos com cancro esta foi uma notícia que me deixou bastante abalada.

O Professor Dr. Jorge Lima, após o diagnóstico comprovado, encaminhou-me para a Dra. Filipa Osório do Hospital da Luz, por ser uma das maiores especialistas nesta área. Felizmente encontrei não só uma excelente médica como um ser humano excepcional que me esclareceu todas as minhas dúvidas, bem como me deu alento para enfrentar todo o processo da operação e pós-operatório que se seguia!



Pensei muito se devia ou não escrever este artigo…. Quem me segue sabe que não falo por norma da minha vida privada, mas quando observei que a maioria das mulheres com quem falava desconhecia por completo esta doença ou também padecia da mesma, percebi que tinha a obrigação de partilhar e informar, pois ser blogger ou influencer tem que ser mais do que só escrever sobre moda e lifestyle. Sei que muitos médicos desvalorizam os sintomas, o que pode levar a um diagnóstico tardio, sendo que as mulheres muitas vezes confundem os mesmos com os inerentes à menstruação. Por esse motivo, e logo após a operação, falei com a Dra. Filipa Osório e pedi-lhe que me prestasse alguns esclarecimentos, pois pouco mais posso fazer que contar a minha experiência. Em breve partilharei, num próximo artigo, a entrevista que realizámos e espero com isto poder vir a ajudar e esclarecer outras mulheres.

Obrigada Dra. Filipa Osório por me devolver o sorriso!


6 comentários:

  1. Meu deus... Agradeço muito o testemunho, os sintomas são realmente bastante desvalorizados e a condição muitas vezes desconhecida e, por isso, considero que seja mesmo importante a partilha de histórias tão reais como esta.
    Desejo toda a força do mundo!
    Vou ficar atenta à entrevista :)

    Beijinhos!
    MESSY GAZING

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  2. Messy muito obrigada, foi exactamente o que pensei como é possível haver ainda tanta falta de informação relativamente a uma doença que afecta tantas mulheres. Espero que o meu contributo, bem como a entrevista, ajudem a esclarecer muitas dúvidas!


    Beijinhos :)

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  3. Muito obrigada por partilhares a tua história publicamente.
    Sem dúvida que o teu testemunho pode ser muito importante. Pode fazer mesmo a diferença na vida de muitas mulheres.

    Que bom ver-te sorrir novamente ☺

    Minha querida, um grande beijinho ❤

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    1. Obrigada minha querida, espero realmente que o meu testemunho possa ajudar algumas mulheres, dai a minha decisão em publicar!

      Um grande beijinho e obrigada pelo teu carinho sempre ❤

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  4. A endometriose é sem dúvida uma doença muito complicada. Nos últimos dois anos já passei por duas cirurgias decorrentes de uma endometriose profunda, e só posso agradecer também à Dr. Filipa Osório e à Dr. Sónia Barata. Hoje estou muito melhor graças a elas. Espero que continue assim por muito mais tempo, mas com a endometriose nunca se sabe, é imprevisível!
    As melhoras e espero que este post seja mais um contributo para a sua divulgação. Eu, por exemplo, tenho uma prima que já sofre com a doença há mais de 10 anos e uma bisavó que morreu por complicações provocadas por uma endometriose intestinal e nem fazia ideia, até que me bateu as portas. Como prevenção a minha irmã já não pode ter menstruação (toma pilula continua), para evitar que apareça, visto que no nosso caso é altamente genético.

    Um bejinho e boa sorte nesta caminhada :)

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    1. Olá Sónia,

      Obrigada também pelo seu contributo e partilha, tudo o que pudermos fazer para alertar é fundamental. Afinal é uma doença que afecta 10% das mulheres em idade fértil e muitas nem sabem que a têm.

      Um beijinho e boa sorte também para si e para a sua irmã :)

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