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14 de março de 2018

Cristina Branco | Na Primeira Pessoa


Branco é acima de tudo sobre encontros, sem preconceitos, sobre a realidade, a vida normal sem deuses ou super-heróis”. É assim, sem filtros, que Cristina Branco apresenta o seu novo álbum.

Conhecemos-nos no lanche de celebração do 8º aniversário do Breakfast@Tiffany's e ficou a curiosidade de saber mais sobre a sua carreira e este novo projecto. Marcámos encontro no bonito Teatro Tivoli em Lisboa, local onde dia 15 de Maio interpretará as novas músicas bem como revisitará outros trabalhos. Eu não vou perder!


“Branco” retrata uma mulher à procura de redescobrir-se, em busca de um novo começo? 

Branco é acima de tudo sobre encontros, sem preconceitos, sobre a realidade, a vida normal sem deuses ou super-heróis. Gosto de pensar neste disco assim. Não estou a começar, estou a fazer o caminho e, esse, às vezes, parece-se sim um início, tal é a semelhança com a origem das coisas, da vida como ela é. 


Falaste-me que em “Branco” apareces despida de preconceitos, na tua essência. Achas que as pessoas com o fenómeno das redes sociais são, ou vivem, um artifício? 

As redes são uma montra, uma montra gigantesca que te oferece a possibilidade de te transformares no que quiseres, permite-te esconderes-te mostrando-te. Eu quero dizer apenas que não quero neste momento “esconder-me” atrás de uma produção cintilante, se aquilo que estou a tentar dizer é que eu e a minha música não temos filtros e que quero que as pessoas se identifiquem com este novo-normal, com esta diversidade. Somos todos muito diferentes sendo irremediavelmente iguais uns aos outros, tenhamos noção disto. Não é mau ser diferente ou gostar de todas as cores...ou só do amarelo!


Em 2000 deste 130 concertos em todo o mundo. Tens a Holanda como segunda casa. Sentes que tens mais reconhecimento no estrangeiro do que em Portugal? 

Já não é assim. Depois de ter tido filhos a agenda ganhou juízo! Fico grata por saber que as pessoas entendem o que eu quero dizer através da música e por isso me procuram seja onde for e nunca senti esse estigma. Quero simplesmente sentir aquilo que sinto hoje, que é a emoção de aos 45 anos ainda “dizer” coisas que cativam o outro, ainda faço sentido, o meu discurso musical ainda tem destreza intelectual para chegar ao outro, seja cá seja lá.


Apesar de neste álbum não cantares fado, o sentimento de nostalgia que lhe é inerente, bem como a guitarra portuguesa estão presentes. Qual a importância do fado na tua vida? 

Ui, o fado é muito importante mesmo que fique na prateleira quieto à espera que eu regresse de outro voo. O fado chegou lenta e progressivamente e abre mundo atrás de mundo, só tive que deixar que se instalasse em mim, mais nada. Fado é uma lição mesmo, ensina a cantar, a sentir, a respirar. Foi muito importante. 


Que sonoridades destacas no teu disco? 

É difícil de classificar. Digo-te apenas que eu e o Bernardo Couto vimos do fado e o Bernardo Moreira e o Luís Figueiredo são do Jazz, isso e o rock, o indie que vem dos compositores. Sei que o meu som tem que ser nítido, tem que ter silêncio para poder “gritar” a verdade cá para fora, tem um jeito de cantar despojado.


Em Branco tens 12 autores, um para cada canção, no entanto resulta numa perfeita harmonia. A que achas que se deve este resultado? 

Sinto que foi o momento, o tal novo-normal, convergente e silencioso que fez a sua obra. 

Qual a influência de Sérgio Godinho no teu trabalho? 

Ouvi muito muito antes de imaginar sequer ser cantora, tenho horas de audição das suas músicas, de tomar-lhe o pulso, a toada e isso deixou rasto através do tempo, o gosto por observar a realidade. 


Como foi trabalhar com um grupo de músicos e autores mais jovens? 

É trabalhar com autores que têm a sede de dar, de mostrar o seu melhor porque a vida está a um passo de lhes acontecer! São curiosos e inventam-se a cada passo e sem preconceito pelo outro, pela diversidade, pelo feminino ou que género for e isso é novo, é de hoje, de agora e era isso que eu procurava! 


Quem são as tuas referências musicais? 

Já mencionaste o Sérgio, mas a Amália Rodrigues foi quem espoletou o meu querer ser cantora, depois tens o Chico Buarque, o Brel, a Ella Fitzgerald e a Billie Holiday, o Zeca...Na verdade é uma longa lista, mas nada supera Amália, foi ela que me fez ir em frente, sem querer e sem saber deixou-me “radiografá-la”, entrar em si e acreditar naquela voz como uma prece, um mantra. 


Que podemos esperar da tua digressão? Vais revisitar trabalhos prévios? 

É um concerto muito orgânico, onde a luz faz uma dança conceptual que liga os videoclips, a capa do disco e a música. Os instrumentos não são apenas os convencionais, há mais para além deles. Tenho encontro marcado com outras músicas do meu passado porque acredito que só se constrói para o futuro se soubermos acreditar no passado e perceber como ele resiste e ultrapassa a marca do tempo.


Cristina vais ser júri do Festival da Canção. Como vês os novos talentos no panorama nacional? 

Com muito bons olhos, penso em mim naquela idade e de como o mundo estava todo por me acontecer e no que isso traz de grandioso a quem tem uma página em branco e uma vontade férrea de ser, sem filtros.


Como te defines como mulher? 

Sou maternal, pragmática, exigente, mas também choro muito e tenho muitas dúvidas e uma autoestima muito pequeniiiiiiiina às vezes, adoro rir-me das minhas fragilidades, adoro rir.


Créditos Fotográficos Catariina Fernandes Photography



Make-up Clarins



 Hair by Tita Martins for Anton Beill Haircare


Look

Green velvet dress Zara | Ankle Boots RockportJewels Oro Vivo

2 comentários:

  1. Gostei muito da entrevista!
    Sinceramente não conheço bem o trabalho da Cristina Branco, mas agora fiquei cheia de curiosidade ☺
    Obrigada pela partilha!

    Beijinho
    Carla

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