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19 de outubro de 2016

Hoje o Blog é da Isabel Machado


Hoje o blog volta a ser da querida Isabel Machado que nos fala sobre o seu último livro "A Rainha Santa".
Foi há quase 750 anos que, num reino remoto, nasceu uma princesa que viria a reinar no coração dos portugueses.


Era bela, inteligente e culta, mas ficou na memória de todos pela bondade e por um milagre que nunca ocorreu... O nome de baptismo deve-o à tia-avó, Santa Isabel da Hungria, de quem sempre quis seguir o exemplo.


A Rainha Santa Isabel

Mas Isabel não pôde cumprir o sonho de servir a Deus como esposa de Cristo. A filha do poderoso rei Pedro III de Aragão estava destinada a uma aliança por interesses do reino. A casar por interesses do reino. Opôs-se à vontade do pai, convicta que o seu lugar era na Igreja. Aos onze anos, o desgosto de se ver afastada dos seus para casar com o rei de Portugal, D. Dinis, e viver no extremo oposto da Península Ibérica, deu conta do sossego da princesa que nunca foi submissa nem resignada.


D. Dinis 

Chegou aos 12 anos. Observadora, interessada, determinada e corajosa, rapidamente mostrou que não seria uma rainha comum. Saía dos paços em busca do povo, acudia a quem precisava, abeirava-se dos mais rejeitados pela sociedade, tocava na pele dos amaldiçoados, tratando-lhes das maleitas do corpo, com os conhecimentos que tinha da medicina da época....

Enfrentou os poderosos pela firmeza da fé e pela convicção na justeza dos seus actos.


D. Dinis e D. Isabel

D. Dinis e D. Isabel são, para mim, o casal de monarcas mais interessante da História de Portugal. Ambos inteligentes, cultos, devotos e enérgicos. Mas foi difícil a sua convivência devido à diferença gritante de temperamentos e ao coração instável do rei-trovador, dado a paixões.


Quadro Santa Isabel de Portugal

A História recorda-a como Santa, mas sempre foi enigmática a personalidade desta figura tão acarinhada pelos portugueses. Ao longo dos muitos meses de pesquisa deixei-me encantar pelas facetas desconhecidas desta mulher, de quem chegaram cartas até aos nossos dias. Desvendei facetas surpreendentes de uma rainha de Portugal que foi capaz de acolher os bastardos do marido e de cuidar deles como filhos, de mediar entre os exércitos desavindos de D. Dinis e do filho de ambos, D. Afonso, e de desobedecer às ordens do rei quando considerava que os interesses dos súbditos e do reino a isso a obrigavam


Pedro III de Aragão

Para mim, Isabel, princesa de Aragão e rainha de Portugal, destaca-se pela coragem, pelos valores humanistas, pelas obras que deixou e pelo seu papel político. Por várias vezes, conseguiu a paz, dentro de Portugal e no contexto Ibérico.

Foi uma mãe dedicada, carinhosa e presente, contrariando a prática das mulheres da sua estirpe.

Tentei com este romance moldar uma personagem multifacetada e rica, que acredito corresponder ao que mais se aproxima da realidade, muito diferente da imagem unidimensional que muitos guardam desta rainha que foi beatificada há precisamente 500 anos.


Túmulo da Rainha Santa Isabel no Mosteiro de Santa Clara a Nova, Coimbra

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