Sobre Mim Entrevistas Artigos Produções Lifestyle

1 de maio de 2014

Rita Tilly | Na Primeira Pessoa


Conheci a Rita Tilly num wedding event no Dolce Campo Real para o qual fomos convidadas a fazer a cobertura.

Ao jantar a Rita contou que estava noiva e como tinha sido o pedido de Casamento. Como sou extremamente romântica fiquei desde logo deslumbrada com o pedido e a partir dali não parei de lhe colocar questões. Foi este o ponto de partida para agendarmos esta entrevista, que coincide com o mês de Maio, mês das Noivas por excelência.

No dia marcado encontramo-nos no Anton Beill Hairdressing para tratar do cabelo e make-up e de seguida rumamos à Dama de Copas, por se tratar de um espaço romântico e vintage. A Rita teve ainda a oportunidade de experimentar o Bra Fiting Noivas.


Rita quase todas as mulheres sonham com o pedido de Casamento. Como foi o teu?

Inesperado, muito elaborado e mágico! Se disser que “não estava nada à espera”, além de usar um cliché, estaria a mentir. Estava à espera, porque era algo que desejava que acontecesse, apenas não esperava que fosse no timing e da forma como foi.

O meu noivo (é tão engraçado usar esta palavra!), João, programou uma viagem em segredo. Eu não sabia nada: o destino, o que íamos fazer, onde ficar... nada. Apenas tinha uma data e a indicação para fazer uma mala pequena. Suspeitava que íamos passear por alguma cidade europeia que eu ainda não conhecesse mas numa ótica de aventura, como já tinhamos feito anteriormente, e não com o mote “viagem romântica”, embora por coincidência tenha sido no fim-de-semana do dia dos namorados... Só soube para onde ia já no aeroporto, quando abriu a porta de embarque: Milão. Mas Milão não era o destino final. Na manhã seguinte, e depois de termos passeado pelo centro da cidade, seguimos viagem para Verona, uma das cidades que eu desejava conhecer há muito tempo, não fosse “Romeu e Julieta” um dos meus filmes preferidos da adolescência... O João sabia disso e portanto fazia parte do plano passarmos na casa da Julieta e deixar o nosso cadeado entre milhares de tantos outros apaixonados que cumprem o mesmo ritual. Já estava completamente rendida e mal sabia o que me esperava... Continuámos a viagem, eu sempre sem saber para onde íamos, e só quando estávamos bem perto percebi que era a nossa cidade de eleição, onde já tinhamos estado anterioremente e adorado: Veneza. Fiquei radiante! Tanto eu como João adoramos aquela cidade mágica, tão diferente de todas as outras, e que é de facto especial para nós. Durante o jantar, no hotel mais romântico onde já estive, mesmo no Grande Canal, o João pediu a sobremesa e enquanto ela não chega começa a fazer um discurso que me faz suspeitar do que poderia estar para acontecer... Os empregados regressam à mesa com dois pratos com cloches que não deixavam ver o que estava lá dentro. Colocam à nossa frente e quando retiram as cloches o prato do João estava vazio e o meu tinha a caixa com o anel... Não poderia ter sido mais romântico e perfeito!


Ficaste surpreendida? Como te sentiste?

Fiquei em estado de choque. Acho que por mais que se esteja (ou não) à espera é um momento tão especial, tão único e tão emotivo que o cérebro bloqueia! Pelo menos o meu bloqueou um pouco. Fiquei muito emocionada (felizmente só estava mais um casal na sala) e demorei algum tempo até perceber o que estava realmente a acontecer. O João dizia: “Então, isso é um sim? Ainda não respondeste!” e eu acenava com a cabeça, sem proferir palavra, até que finalmente conseguir dizer “SIM! SIM! SIM! SIM!”. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida, não só por estar convencida de que não seria para já, por perceber o empenho e dedicação que o João teve ao programar durante mais de 2 meses cada pormenor daquela viagem, e sobretudo por confirmar que estávamos os dois alinhados e com a certeza daquilo que queríamos. Casar apenas para agradar o outro ou porque é “suposto” não faz qualquer sentido.


Depois de desceres à terra como começaste a organização deste dia tão importante na tua vida?

Acho que comecei a organização ainda antes de descer à terra! A verdade é que 3 dias depois do pedido  já estava a experimentar vestidos de noiva, sem termos data definida, mas com a certeza de que seria ainda este ano. Os nossos feitios não nos permitiam ter um noivado demasiado longo. Já moramos juntos há 4 anos, temos uma vida a dois estabilizada, portanto, a partir do momento em que decidimos avançar, para quê esperar? Portanto, 3 dias depois estava a experimentar vestidos e foi amor à primeira vista. O primeiro que experimentei foi o escolhido (embora tenha ido depois a outras lojas e experimentado vários modelos...). Há quem diga que uma noiva sente quando encontra “O” vestido. Também há quem demore mais para se decidir. No meu caso senti ao primeiro e a partir daí todos os outros faziam com que me sentisse mascarada e não vestida para o meu casamento. No fim de semana seguinte, coincidentemente, fui convidada a visitar um Hotel que estava a fazer um evento para noivos e fiquei encantada. Acho que foi o espaço que nos escolheu a nós e não o contrário. Visitámos outros que tínhamos em mente, mas, uma vez mais, foi amor à primeira vista. Depois de escolhido o espaço e o vestido tudo parece mais fácil!


Como tem sido a preparação desde o pedido até à data de hoje? Já trataste de muita coisa?

Sim, tendo em conta que o casamento será no início de agosto, já tenho muitos “check” na minha lista de tarefas. Sempre ouvi dizer que a organização de um casamento é muito trabalhosa e de facto é. Mas também acho que tem muito a ver com a personalidade de cada casal. No nosso caso somos bastante práticos e acima de tudo sabemos muito bem aquilo que queremos e o que não queremos. Portanto tem sido fácil descartar todas as opções que estão fora daquilo que pretendemos para o nosso dia. Já temos o espaço, o menu praticamente definido, fotógrafos e videógrafo, DJ, animação e surpresas que não posso revelar... As despedidas de solteiro foram delegadas aos padrinhos e madrinhas de cada um e também já estão definidas. O destino de lua de mel também já está escolhido, as alianças tratadas e os convites enviados. Da minha parte já tenho o vestido, os sapatos (que foram a primeira prenda de casamento que recebi, de uma grande amiga), cabeleireira e maquilhadora. E o João também já tem o fato escolhido e guardado no armário de casa mas não vou espreitar. Quero que seja surpresa também para mim e só vejo no dia.


O que mais prazer te tem dado e o que é que dispensavas ter de organizar?

Honestamente, o prazer maior é estar noiva! Algo que, no meio da organização, dos pormenores todos, das listas, das preocupações, das tomadas de decisões, facilmente pode passar para segundo plano. Mas para mim não há nada melhor do que acordar e adormecer todos os dias e saber que no dia 2 de agosto me vou casar com a pessoa que amo e não me esquecer que este dia é meu e dele, isso é o mais importante. A partir daí cada pormenor que escolhemos em conjunto tem imensa graça, chegamos a casa cansadíssimos mas vamos procurar fornecedores, partilhamos as ideias que tivemos, reunimos com os fotógrafos... Por exemplo, uma das coisas mais engraçadas que fizemos até agora foi o convite. Optámos por fugir ao tradicional e fizemos um video com guião e música. Algo que tinha muito a ver connosco, original, e que acho que surpreendeu os convidados. Foi muito divertido e adorámos o resultado final! Dispensava ter de tratar da decoração das mesas. Até agora tem sido o ponto que deixei em stand by, também porque ainda não escolhi as flores, vou esperar mais um pouco e decido o resto da decoração a partir daí.

 
Já vivias com o João, achas que esse factor é ou não determinante para um Casamento de sucesso?


É um “estágio” importante, sim. É muito diferente namorar de morar junto. Tal como acredito que seja diferente morar junto de estar casado. Tem sobretudo a ver não só com o encaixar das rotinas, das diferentes personalidades, de se adaptar ao outro, saber ceder, como, acima de tudo, saber respeitar: as diferenças, as vontades, as personalidades e as expetativas. Morar junto é essencial não só para se perceber no dia a dia as virtudes e os defeitos do outro mas até que ponto somos capazes de viver com essas caraterísticas, sem virar costas ou deitar a toalha ao chão quando as coisas correm mal. No casamento acho que é o mesmo, com um grau de responsabilidade e compromisso ainda maior.


Há quem diga que o casamento está fora de Moda. Rita tu que trabalhas numa conhecida revista feminina achas que o casamento estará alguma vez out of fashion?

Em moda, as tendências são cíclicas... Acredito que o casamento, enquanto instituição, também. Tenho a perceção, exatamente por trabalhar numa revista feminina, de que cada vez mais as mulheres têm como prioridade a carreira, a independência financeira e a realização profissional e por isso acabam por adiar outros aspetos como o casamento ou a maternidade, aos quais, dependendo da personalidade de cada uma, dão maior ou menor significado. Acredito que quem sempre teve esse sonho, mais cedo ou mais tarde, com uma festa maior ou uma cerimónia mais íntima, acaba por dar esse passo. Tal como quem opta por não casar, não o faz por achar que é demodé, mas por sentir que não vai acrescentar nada à sua relação.

Se tivesses um budget ilimitado que criador elegerias para criar o teu vestido de noiva?

Sem dúvida, Vera Wang! Sou fã do estilo romântico, clean e sofisticado.


Achas que hoje em dia é fácil conciliar uma carreira com a vida pessoal?


Não. Nada mesmo. É um exercício que implica uma grande capacidade de gestão de tempo e saber muito bem quais são as prioridades para se conseguir um equilíbrio em que nem a carreira nem a parte pessoal saiam prejudicadas. No meu caso o trabalho ocupa 80% do meu tempo e dedicação, portanto tenho de saber gerir os restantes 20% da melhor forma, fazer aquilo que realmente me dá prazer e saber dizer “não”, para mais tarde não me ressentir por não ter aproveitado determinado momento da forma como queria. É difícil mas é possível.

 
Como é ser Coordenadora de Redação da Cosmo Portugal?

É um sonho tornado realidade e um orgulho poder fazer parte da redação da edição portuguesa de uma das revistas femininas mais lidas pelo mundo. É igualmente uma responsabilidade acrescida, pois sei que temos o dever de manter o nível de qualidade que as edições internacionais têm, ao mesmo tempo que a prioridade número 1 é ir ao encontro dos temas com os quais as nossas leitoras se identificam. Estes 3 anos na Cosmo têm sido de uma evolução constante, aprendizagem e superação. Obviamente que existem sacrifícios (como em qualquer outra área) mas quando se faz aquilo de que se gosta, valem bem a pena e o feedback das leitoras é a melhor recompensa que podemos ter.


Gostarias de experimentar outras áreas do jornalismo? E outro meio para além da imprensa escrita?

A imprensa escrita é claramente a minha zona de conforto e com a qual mais me identifico. Mas a verdade é que nunca experimentei outra área, embora sinta uma enorme curiosidade em fazê-lo. Adoro rádio e sinto que tenho o tal “bichinho”, embora adormecido. Por outro lado, a televisão sempre foi, e é, o meio que mais me fascina. Se pudesse experimentava ambas, e trabalhava nas três, em simultâneo!

 
O Casamento era um sonho de menina ou pelo contrário só surgiu quando encontraste a pessoa certa?


Acho que em meninas todas sonhamos em casar, seja lá com quem for, só pela ideia de usar um vestido de princesa! Pelo menos eu era assim... Depois crescemos e o vestido é o que menos importa e, para mim, casar não era de facto um sonho ou objetivo de vida. Sempre senti uma maior necessidade em me realizar profissionalmente, por exemplo. Mesmo depois de conhecer o João não senti essa vontade de imediato. Ou seja, fui-me apercebendo, aos poucos, durante os 4 anos de namoro, após morarmos juntos e termos passado por fases boas e menos boas, como qualquer casal, aquilo que me fazia sentido. E claro que só me faria sentido depois de ter a certeza de que encontrei a pessoa certa para mim. Não é a pessoa perfeita, ou a pessoa com quem me imaginei casar, e viver aquele dia tão especial, o mais importante das nossas vidas até então. É a pessoa certa para mim, para estar ao meu lado, daí em diante, todos os dias. O meu melhor amigo, companheiro, confidente, cúmplice, com quem mais converso, mais divido as alegrias e tristezas, que melhor me conhece, quem mais me chama à razão e me faz feliz. Como é que podia não querer casar com ele?


Que conselhos darias a quem está neste momento a planear o Casamento?

Não se esquecerem que o dia é da noiva e do noivo e por isso deve ser pensado tendo em conta os gostos e desejos de ambos. Normalmente a noiva tem sempre um pouco mais de destaque, empenha-se um pouco mais e já idealizou coisas que ao noivo ainda não lhe passou pela cabeça. Mas o dia é dos dois, por isso escolham tudo de acordo com o budget disponível e com aquilo que mais se identifique convosco. E não se assustem com os preços. Casar é de facto caro mas o budget não é impeditivo! Há imensos sites com fornecedores, espaços e ideias para todos os orçamentos. Na Cosmo de maio, por exemplo, encontram alguns deles! J

Rita, cresceste num meio relativamente pequeno, Seia. Como foi vir aos 17 anos estudar para Lisboa? Que guardas de melhor desta mudança e o que mais te custou?


Não foi fácil. Sair de Seia, uma cidade pequena na Serra da Estrela, aos 17 anos, e vir morar sozinha para Lisboa foi um choque. Nunca tinha andado de transportes públicos sozinha, não sabia cozinhar, nunca tinha estado mais do que uns dias longe dos meus pais e irmãos, de quem era, e sou, muito apegada. Adaptar-me a uma cidade impessoal e com grupos já muito definidos como Lisboa foi muito difícil e, durante muito tempo achei, que o meu lugar não era aqui e que não iria conseguir vingar numa área com tanta concorrência. Mas não desisti. Isso foi, sem dúvida, o melhor. Não me acomodei, não me fiquei pelo plano B. O percurso não foi fácil mas cresci imenso com essa luta constante e não há satisfação maior do que provar aos poucos a nós próprios que conseguimos e que o melhor ainda está para vir!


Como te defines como Mulher?

Pragmática, assertiva, apaixonada, boa namorada (noiva!), boa amiga, responsável, perfecionista, exigente comigo e com os outros, ansiosa, com mau acordar, curiosa, otimista e de bem com a vida!


Agradecimentos:




Rita Hair by Pawel

Make-up by Joana


My Hair by Tita

Make-up by Vicky

Manicure by Tânia











Look do dia:

Vestido Zara





Créditos Fotográficos: Rute Obadia Fotografia

1 comentário:

  1. Uma bonita entrevista, plena de elegância e cumplicidade. Parabéns às 2 ;)

    ResponderEliminar