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1 de março de 2014

Roberta Medina | Na Primeira Pessoa


Tinha muita curiosidade em conhecer a Roberta Medina que sempre admirei pela sua garra e espírito empreendedor. Por isso, quando fui convidada para a Conferência de Imprensa dos 10 anos do Rock In Rio em Portugal, procurei de imediato que me fosse concedida uma entrevista e não podia ter ficado mais feliz com o resultado. A Roberta é não só uma mulher extremamente determinada mas também muito positiva, simpática e que acredita que pode contribuir para uma sociedade melhor. Eu não tenho dúvidas… 


O Rock in Rio assinala 10 anos em Lisboa. O que é que podemos esperar de especial para esta edição?

O desafio do Rock in Rio é sempre proporcionar uma experiência cada vez melhor, mais surpreendente. Acho que ser uma edição de celebração de 10 anos traz-nos uma carga emocional  ainda maior, porque temos uma grande gratidão em relação ao público português e ao País por ter recebido tão bem o Rock in Rio e por ter contribuído para que o Rock in Rio chegasse ao mercado americano, que é o principal mercado da música no mundo.

A história de Portugal fez com que voltassemos ao Brasil gerando impacto ainda maior do que esperavamos com um produto mais amadurecido, mais rico em termos de variedade de oferta, de entretenimento em si.


Eu acho que a experiencia destes 10 anos em Portugal tem um valor imenso. A gente gostaria de saber que existem crianças com 10 anos, que já têm 10 anos, que a vida delas não existe sem Rock in Rio.
O Rock in Rio é uma referência e queremos que seja assim. Porque quando chegamos aqui tínhamos a realidade do Brasil. No Brasil o Rock in Rio é um ícone da história do País, é um ícone de uma geração e tínhamos esse desafio de como é que vamos agora construir…Essa carga emocional não estava aqui, não é, e hoje vemos que de facto tem uma legião de fãs que tem essa mesma carga emocional, gerações que vibram com o evento e que querem estar sempre lá e isso tem um valor completamente inestimável, então estamos investindo muito. 


Desde trazer uma Rock Street renovada inspirada na Grã-Bretanha com muita arte de rua, muito rock, muito Beatles, muito de tudo, até um palco novo…É uma experiência absolutamente inédita no história do Rock in Rio com um parceiro Master que é a Vodafone construindo connosco um novo palco, oferecendo um novo conteúdo dentro da cidade do Rock. Temos algumas referências que sempre se repetem que é o caso do slide da Heineken, a roda gigante, porque são grandes sucessos do público ali dentro.

Um cartaz que é um investimento bastante relevante da nossa parte. Tem Robbie Williams, que já não vem há 10 anos, que vai ser um ponto alto do evento, que é um absoluto delírio. Quando veio esgotou dois pavilhões, um sucesso na Europa inteira, acho que vai ser um começo alto do evento. 


Justin Timberlake nunca veio e é um artista que atende a públicos muito variados, desde as meninas jovens, porque acham que ele é lindo e têm que ir, até os homens e mulheres que gostam de boa música, que é uma performance maravilhosa, que foi uma grande presença no Rock in Rio no Brasil. Um show super elegante, com uma banda potente, charmosa. Acho que até agora é o dia mais procurado com certeza e acho que realmente não vai deixar nada a desejar. 


Um investimento extremamente significativo dessa edição de 10 anos é ter dois headliners no mesmo dia que é Linkin Park e Queens of the Stone Age e terminar esse dia em festa com o DJ Steve Aoki no palco Mundo para a cidade do Rock virar uma grande pista de dança, porque a música electrónica já há muito tempo que não é nicho e as pessoas gostam e a gente quer esse clima de festa…Festa de aniversário, então o dia vai terminar assim nesse tom.

Tem uma grande novidade que é começar a oferecer aquele conceito que podemos mostrar para o público português nas últimas edições de encontros. Vamos poder oferecer isso agora no Palco Mundo para todo o mundo, um momento em que você nunca viu artistas naquela situação, não vai ver de novo, é um contacto absolutamente único. Vamos ter a Aurea, um grupo de vários artistas homenageando António Variações, que é um músico que apesar de não estar aqui há muito tempo a música continua, não só com o movimento que os Humanos fizeram em 2004 mas, é impressionante, eu que não sou daqui cheguei e pensei como pode ser, não é? Como é tão presente, como a música dele está tão presente, então achámos que fazia todo o sentido fazer essa celebração. 


Temos também o dia dos Arcade Fire, que é das bandas que antigamente o povo dizia “ah essas alternativas, cool” mas que fazem parte das bandas dessa nova linhagem, de grandes bandas a nível internacional e é muito desejada. Já não é uma banda que atende apenas a um grupo exclusivo de entendidos mas que todo mundo gosta e desta vez vão poder curtir no Rock in Rio também durante o espectáculo. E vem aí um dia que a gente ainda não divulgou que é o dia 23 de Maio mas que, se segura aí na cadeira, que você vai ver…Acho que vai ter mesmo “ah eles, oh eles estão mesmo comemorando 10 anos!”

E ficamos muito curiosos para saber…

Ah pois é essa a ideia!

A minha segunda pergunta era precisamente sobre o António Variações e o porquê da decisão de o terem homenageado…

A gente tem tido a felicidade…Por exemplo, no Brasil começamos a experimentar fazer homenagem porque são talentos que apesar de não estarem mais entre nós é como se estivessem. Foi o caso de Legião Urbana e Cazuza. A página do Legião Urbana, já não existem há 15 anos, tem 500 mil seguidores…E a banda não existe! Todo o Mundo canta e não é só o público que curtiu lá atrás. Então é assim, como é se eles não estão ai? Cara, o Renato Cruz não está mas eles estão, então a gente se desafiou como é que será que isso vai rolar? Vamos botar essa música para tocar de novo num grande espectáculo…Extremamente emocionante, as pessoas choram, as pessoas cantam. Porque está ali e faz parte da nossa história, Cazuza foi o mesmo e acho que Variações entra nesse rol de artistas que infelizmente não estão entre nós mas que a música está, está para sempre e que as gerações novas não viveram mas cantam. 


As edições de Madrid e Buenos Aires foram adiadas mas o Rock in Rio em Portugal soma e segue. Podemos dizer que em Portugal o Rock in Rio é um caso de sucesso?

É um caso de sucesso mas em Espanha também é um caso de sucesso. Podemos avaliar que o volume do público jovem nestas 3 edições é muitas vezes maior, porque é o maior festival que tem em Espanha. O problema é o mercado publicitário, não está forte o suficiente para podermos arriscar a fazer o evento lá agora...Teve impacto quando saíram as notícias mas a gente comunicou que não cancelou, só adiamos. Não é que a gente não vá voltar para Espanha. A marca é extremamente poderosa, principalmente na comunidade de Madrid. A marca estava com mais notoriedade do que Fórmula 1 e os caras têm o Alonso! E agora quando saíram as notícias, “ai perdi o Rock in Rio!” Então é assim, é um sucesso mas economicamente o País não está com condições de se ir agora para lá.

Buenos Aires foi uma outra realidade e foi uma notícia que saiu toda junta mas já era uma notícia velha e pareceu uma notícia nova, porque a gente suspendeu a oportunidade que ia acontecer esse ano, mentira o ano passado, 2013. Só que a Presidenta decidiu há algum tempo atrás que não se pode fazer pagamentos para o exterior, só mediante autorização expressa do Governo. Como é que eu posso ficar sujeita a pagamentos de artistas se a pessoa se lembra de não querer pagar ou se atrasa, não podemos correr esse risco. Então enquanto o País estiver com essas características económicas e políticas não há condições do Rock in Rio acontecer lá … A gente já estava com contrato assinado, aliás quem acompanhou sabe que fizemos uma conferência de imprensa aqui no Rock in Rio Lisboa com o Governador de Buenos Aires, o (Mauricio) Macri, anunciando o evento. Cidade do Rock para ser construída, patrocinadores fechados e sai essa regra e não poder avançar foi uma grande frustração mas são cenários completamente diferentes. Não quer dizer que não possa acontecer, lá não é um problema económico é um problema político. 


De todos os artistas que conheceu quais é que mais a surpreenderam até hoje e porquê?

Você diz o show, porque eu não vou lá conhecer artista nenhum. Tenho uma experiência pessoal da primeira edição do Rock in Rio aqui, em que não conhecia os Xutos. Sabia que era uma banda importante mas nunca os tinha visto, Quem são esses? Deitaram a cidade do Rock abaixo! As pessoas num delírio pulando, dançando, fiquei muito impressionada.

Outro momento muito impressionante para mim também foi com Bon Jovi. Não entendo como é que ele aguenta cantar uma música de virada à outra, o cara não respira! Ele canta da primeira à última com uma energia e uma vibração impressionantes, foi um espectáculo muito marcante. E acho também que Bruce Springsteen na última edição é só para quem pode… O cara fazendo coreografias com o público, depois de 2 horas e meia também de muito sucesso…Olha nem era fã fiquei, porque realmente foi uma noite muito emocionante…A felicidade dos fãs dele, completamente em êxtase! 


Quem é gostava de trazer ao Rock in Rio Lisboa e ainda não foi possível?

Eu não respondo mais a essa pergunta porque não há nesse momento, porque eu estou há dez anos dizendo que eu quero é o Robbie Williams, então agora ele vem e estou dedicada em tentar ver o show dele que acho que vai ser um grande momento dessa edição…Para já não sei. Estou com sonhos realizados e agora vou curtir o meu Robbie Williams. Depois começo a pensar em mais alguém.

Por último Roberta, admiro-a imenso como mulher, acho que é uma mulher com imensa garra e queria perguntar-lhe qual o segredo desse sucesso, dessa determinação. Como é que se define?

Obrigada pelo elogio, agora não estou nem mais cansada (riso).

Quando você acredita nas coisas que você faz, quando você é convicta e eu estou convicta não da música mas da construção de um mundo melhor, da capacidade do entretenimento da música de conseguir equilibrar a sociedade, de criar um espaço onde se respira, onde se carrega energia. Eu acredito no que faço, acho que me esforço em construir um mundo melhor seja com o Rock in Rio, seja com qualquer treinamento que eu possa fazer e a minha escola é de que nada é impossível. É uma escola dura mas é uma escola muito positiva. Porque, sabe, você não tem barreiras, não tem nada que te possa atrapalhar, aparece um desafio tu passas, passas todos os desafios, então não é um problema. Acho que é um pouco da cultura, de acreditar nessa determinação, de acreditar no que você faz, de que é possível fazer o que quer que seja mas temos que correr atrás, tem que ter muito trabalho.


Eu adorei uma frase, alguém que diz assim “ah não, você tem muita sorte” e eu tenho muita sorte mas por acaso sempre que a sorte bateu na minha porta eu estava trabalhando! Tem que correr atrás do que está fazendo. Acho que acima de tudo temos que construir uma sociedade cada vez mais justa, há que olhar com a visão do outro. Não basta a gente estar feliz, não basta eu estar bem, você tem que estar bem. Uma pessoa mal-humorada vai-se voltar para mim, se tem problema de desigualdade social no Brasil e tem crianças na rua que não têm comida ou que o pai está desesperado que não tem comida para dar, ele vai assaltar e vai assaltar quem… A mim! A dinâmica é essa, não é eu ou ele e se a gente tiver esse cuidado, se entendermos que é assim, deixa de ser solidariedade. Nem que seja por egoísmo, trata de construir uma sociedade melhor que é para você ficar melhor, eu acho que a gente tem que ter essa bussola, pelo menos nas coisas que faço no meu dia-a-dia tento que seja assim.


Créditos Fotográficos agência Zero

4 comentários:

  1. A Roberta com o passar do tempo está a ficar melhor. Está muitissimo bonita :)
    Mais airosa :D

    obsessivfashion.blogspot.com

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  2. É verdade Maria Nunes a Roberta está cada vez mais bonita:)

    Um beijinho,

    Carmen

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  3. Uma excelente entrevista a uma mulher cheia de garra e vontade de vencer. 2 mulheres bonitas. Um beijo

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