Este é provavelmente o post mais pessoal que já publiquei por aqui mas dado o que vivenciei nos últimos meses considero ter esse dever!
Quando regressei da lua-de-mel em Outubro percebi que algo não estava bem comigo. Tinha sido operada em 2014, mas na altura não conhecia o diagnóstico. Fui surpreendida quando o urologista me disse, após o resultado da biopsia às massas que tinham sido retiradas, sabe que tem endometriose? Ao que respondi negativamente, ele referiu-me que também desconhecia a doença.
A partir desta data fui sempre sendo acompanhada por este médico e fazendo exames de despiste com bastante regularidade (6 em 6 meses) para perceber se surgiam novos focos. Voltaram a surgir suspeitas, tendo inclusive feito uma ressonância magnética, mas no relatório concluíram ser a cicatriz da intervenção, mas não era!
Para além das dores menstruais, as hemorragias eram cada vez mais abundantes, até que ao falar com o Professor Dr. Jorge Lima (meu ginecologista desde 2016), e mesmo sem ter feito os exames, percebemos que algo se estava a passar. Desta vez fui logo bem encaminhada pelo Professor, tendo feito exames com uma médica especializada na área, que me disse não restarem dúvidas que tinha uma grande massa na zona da bexiga, onde havia sido operada, e outra junto ao intestino. Na altura também me disse que a endometriose de “benigna” só tem o nome, porque ao alastrar para os órgãos pode por o funcionamento dos mesmo em causa, podendo, no limite, conduzir à sua remoção cirúrgica total ou parcial. Tendo perdido os meus pais e outros familiares próximos com cancro esta foi uma notícia que me deixou bastante abalada.
O Professor Dr. Jorge Lima, após o diagnóstico comprovado, encaminhou-me para a Dra. Filipa Osório do Hospital da Luz, por ser uma das maiores especialistas nesta área. Felizmente encontrei não só uma excelente médica como um ser humano excepcional que me esclareceu todas as minhas dúvidas, bem como me deu alento para enfrentar todo o processo da operação e pós-operatório que se seguia!
Pensei muito se devia ou não escrever este artigo…. Quem me segue sabe que não falo por norma da minha vida privada, mas quando observei que a maioria das mulheres com quem falava desconhecia por completo esta doença ou também padecia da mesma, percebi que tinha a obrigação de partilhar e informar, pois ser blogger ou influencer tem que ser mais do que só escrever sobre moda e lifestyle. Sei que muitos médicos desvalorizam os sintomas, o que pode levar a um diagnóstico tardio, sendo que as mulheres muitas vezes confundem os mesmos com os inerentes à menstruação. Por esse motivo, e logo após a operação, falei com a Dra. Filipa Osório e pedi-lhe que me prestasse alguns esclarecimentos, pois pouco mais posso fazer que contar a minha experiência. Em breve partilharei, num próximo artigo, a entrevista que realizámos e espero com isto poder vir a ajudar e esclarecer outras mulheres.
Obrigada Dra. Filipa Osório por me devolver o sorriso!
Fotos Rute Obadia Fotografia


























