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17 de março de 2016

Carol Rossetti | Na Primeira Pessoa


A propósito do Dia da Mulher entrevistei Carol Rossetti, a ilustradora e autora do livro Mulheres, que esteve em Portugal a divulgar o seu trabalho.

Quando Carol Rossetti começou a desenhar diferentes tipos de Mulheres para experimentar os seus lápis de cor não podia imaginar o impacto que viria a ter nas pessoas, sem dúvida uma forma de quebrar tabus e chamar a atenção para a diversidade cultural, cada vez mais na ordem do dia.


Carol quando começou a desenhar esperava que as suas ilustrações tocassem tanta gente?

Não, nunca esperei que meu trabalho tivesse tanta repercussão. Foi uma grande surpresa!



No seu livro cita José Saramago a propósito da colonização do outro “Aprendi a não convencer ninguém, o trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma colonização do outro”. De que forma julga que influencia as pessoas?

Acredito que minha influencia venha como um convite a reflexão, e não propriamente a uma tentativa agressiva de convencimento. O convencimento é violento e causa sempre uma reacção defensiva do outro, de forma que não é uma estratégia de comunicação eficiente. Tento ser acolhedora e amigável.


O seu trabalho já se encontra representado em vários Países. No entanto devem existir diferenças que reflectem-se nos estigmas inerentes a cada cultura, sente que se aplica a Portugal e Brasil?

Sim, as diferenças culturais existem. Acredito que o Brasil é mais conservador que Portugal, apesar de carregar uma falsa imagem de diversidade. Meu país infelizmente falha muito no combate a violência contra a mulher, especialmente a mulher negra e/ou transsexual. Ainda há um controle muito grande da cultura em relação as escolhas da mulher e a violência ainda é muito grande.


Este livro é um hino à mulher e aos diferentes tipos de beleza feminina. Considera que a sua obra também é uma chamada de atenção para os homens?

Sim, claro. Inclusive, convido os homens a se envolverem e se identificarem com o meu trabalho. Acho importante dialogarmos e nos empenharmos em mudar juntos a sociedade. Já tive muitas respostas positivas de homens que me mandaram mensagens com suas impressões sobre o projecto, varias criticas positivas e afectuosas.


A Cerimónia dos Óscares foi pontuada pela questão da diversidade racial, qual é a sua opinião sobre este assunto?

Acredito que Hollywood deva assumir a responsabilidade pela sua força mundial na construção de referencias e conceitos. Actores e actrizes de outras etnias que não a branca não tem as mesmas oportunidades que artistas brancos, gerando uma grande distancia representativa. Isso alem de colocarem muitos actores brancos representando personagens não brancos - como a própria katniss, de jogos vorazes que no livro é descrita com pele morena.


Quais são os seus principais hobbies?

Gosto de desenhar, assistir séries e ler, principalmente.


Já falamos de José Saramago, quais são as suas referências literárias?

Gosto de muitos autores diferentes, como Saramago, Valter Hugo Mãe, ficção juvenil como Harry Potter e Jogos Vorazes, todos os livros do Neil Gaiman, varias graphic novels, Amanda Palmer, Rxanne Gay, Milan kundera, clássicos como William Faulkner... Enfim, gosto muito de livros.


Como se define como Mulher?

Ser mulher é ser humana, ser lutadora em muitos aspectos . Espero que tenhamos todas liberdade de ser e nos expressarmos.



Agradecimentos 




Carol recebeu a chávena Olhar o Brasil, numa homenagem ao seu País


Look

Dress Four Flavour for Chic by Choice | Shoes Rockport | Watch Dior | Jewels Sofia Tregueira 


Make-up Miriam for Benefit Boutique


Hair by Tita Martins for Anton Beill Hairdressing




Créditos Fotográficos Catarina Fernandes Photography

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