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29 de dezembro de 2013

"A Primeira Missa"


Com a realizadora Ana Carolina, o elenco português e o protagonista Dagoberto Feliz

Estive recentemente numa sessão privada de “A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum” – uma coprodução luso-brasileira da conhecida realizadora brasileira Ana Carolina. Para além de ver o filme em primeira mão tive oportunidade de conhecer o elenco e entrevistar a sua criadora.


“A Primeira Missa” é uma tragicomédia ácida que, nas palavras da sua autora, “compara, artisticamente, o marco histórico da primeira missa com a ciclópica tarefa de se fazer um filme em um país que aos poucos conquista seu próprio mercado.”

 
O filme, inspirado no famoso quadro homónimo do pintor brasileiro Victor Meirelles, conta com os actores portugueses Beto Coville, Marcantonio del Carlo, Pedro Barreiro, Rui Unas e Ricardo Silva.


 Dagoberto Feliz e Ana Carolina

Destaque também para a participação especial de Fernanda Montenegro, Rita Lee e Arrigo Barnabé.


Apesar do lançamento no Brasil só estar previsto para 4 de Março de 2014, Ana Carolina fez questão de mostrar “A Primeira Missa”, em primeira mão, à equipa, elenco e parceiros Portugueses.


Com a realizadora Ana Carolina

Não é todos os dias que conhecemos uma mulher com a garra de Ana Carolina. Foi para mim um prazer poder realizar esta pequena entrevista a esta grande realizadora. Espero que gostem.

Ana Carolina porque optou por mostrar "A Primeira Missa" em primeira mão em Portugal?

Porque de alguma maneira havia um contrato que eu cumpri fielmente com o ICA para que fosse mostrado em primeiro lugar aqui e eu fiz um esforço fenomenal para acabar o filme e fazer cumprir. E eu achei que foi bom fazer aqui porque assim o filme passa a viver. De alguma maneira o parto foi agora e no Brasil isso se repercute bem para mim.

Qual a data de estreia no Brasil?

Vou tentar lançar no Brasil em meados de Março e levar os actores portugueses para o lançamento no Brasil e aqui lá para o dia 10 de Abril consegui uma ou duas salas para trazer os actores brasileiros para a estreia em Portugal. Ai acaba o meu dever e eu tenho de aguentar as consequências desse trabalho.

Este filme é uma critica feroz?

Eu acho que é meu dever também, não é coragem, isso é só responsabilidade. Eu faço cinema há 40 anos e eu tenho uma responsabilidade e um compromisso com o meu trabalho e o meu País não tem responsabilidade comigo, então eu mostro para o meu País o que ele deixa de fazer para que eu possa fazer mas eu fiz.

Mas essa critica então é só com o seu País, não acha que é transversal?

Agora eu acho que a cultura foi atropelada pelo poder económico e pela tecnologia e acho que estamos todos em péssimos lençois.

A Ana Carolina quando começou era das poucas realizadoras femininas, nos anos 70 era uma profissão muito masculina...

Eu ocupei um espaço durante muito tempo em que só tinha eu.

E foi difícil desbravar esse caminho?

Nunca, nem na primeira curta até este filme, nunca, nunca foi fácil. Sempre foi pegando lances e me esforçando o máximo que eu podia para cumprir o que eu mesma determinei para mim, ninguém me obriga.

Mas acha que ainda hoje em dia não é fácil ser Mulher e Realizadora?

Agora tudo empatou eu acho, agora empatou. Os homens são mais fracos do que a gente pensava e a gente é mais forte do que deveria.

O que é que espera alcançar com este filme?

Eu estou reafirmando minha condição de grande "briguenta", o que é bom, e o que eu espero é realmente poder fazer outro, porque a vida sem fazer cinema é chata mesmo.

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