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9 de novembro de 2013

Desfile Retrospectiva 10 anos de Carreira Storytailors


Estive presente no desfile da retrospectiva dos 10 anos de carreira da dupla de criadores portugueses Storytailors, numa parceria com a Revista Umbigo e o BES Arte & Finança onde tive oportunidade de falar com os designers sobre o seu percurso.


Foi com grande surpresa que vi irromper na passerelle a minha querida amiga Raquel Prates como “Noiva”, num desfile que surpreendeu pela irreverência destes contadores de histórias mas também pelas propostas que se adaptam ao dia-a-dia sem perderem o charme a que os Storytailors já nos habituaram.





Raquel Prates

Como surgiu este convite para desfilares para os Storytailors?

Este convite já surgiu há algum tempo. Realmente era uma forma de comemorar os 10 anos dos Storytailors, designers que tenho acompanhado sempre com muito carinho.

Quando me fizeram o convite não fazia ideia que era a "Noiva" portanto passei a última peça da retrospectiva porque o resto já foram peças novas. Este vestido tem uma vertente mais fantasiosa, daquelas peças que num desfile fazem espectáculo e também marcam a diferença em termos estruturais, uma das características deles. O corpete é vestido de forma tradicional, eu agora percebo o que é que as senhoras de época sentiam. 


E é desconfortável?

Não, é super confortável, desde que não seja apertado em demasia. Passa pela vaidade de cada uma o que consegue suportar para ser bela. 


Tendo em conta a retrospectiva e as peças actuais, se tivesses de eleger uma fase destes 10 anos qual seria?

Seria muito difícil, não conseguiria eleger apenas uma. Eu acho que os Storytailors são artistas e que todo o percurso faz parte deles conseguirem estar aqui hoje e com outro tipo de perspectiva. Foram também dos primeiros designers a ter uma vertente low cost, tiveram esse cuidado para que outras pessoas também pudessem adquirir peças de criadores nacionais. Por isso não é possível tirar alguns anos do meio de uma história. A história só faz sentido se tiver este princípio, meio e, se Deus quiser, continue por daqui a muitos anos.



Storytailors

Que retrospectiva fazem destes 10 anos de carreira?

O que é que foram estes 10 anos? O que é que representam?

Acho que passaram depressa, quando temos prazer naquilo que fazemos e quando requer muita dedicação o tempo passa depressa. De repente fizemos 10 anos e temos de festejar e não pensamos em nada….



A ideia que eu tenho é que tinham muitas peças dentro daquele estilo de silhueta, corpetes…

Sim, nós fomos diversificando a nossa oferta de peças à medida que o nosso trabalho também foi crescendo e amadurecendo mas continuamos a ter aquelas peças. O que acontece é que no início se calhar quantitativamente tínhamos menos peças, vá lá, entre aspas, “usáveis” no dia-a-dia mas sempre as tivemos, começámos a ter mais quantidade recentemente mas não deixamos de ter as outras. O que fizemos foi uma adaptação. No início as nossas apresentações eram muito sobre o espectáculo visual, pois queríamos dar a conhecer o nosso trabalho, a nossa voz mas temos de estabelecer um discurso com as pessoas reais que usem as peças e não queremos que elas fiquem condicionadas por apresentações espalhafatosas em que depois pensam, eu não consigo usar nada disto.

Temos peças que são acessíveis, que são usáveis, que são próximas, que as pessoas podem olhar para elas e dizer “ah pois mas eu usava isto” e eu conseguia usar isto todos os dias e há em muitas das nossas apresentações hoje em dia uma preocupação em comunicar essa acessibilidade, de ter visuais que as pessoas possam usar nos mais variados contextos e depois ter um núcleo de visuais para essas ocasiões mais especiais e que não são mesmo nada do dia-a-dia. 


E neste momento também tem uma colecção para homens que não tinham…

Sim começamos a trabalhar agora sim. 


E o facto de terem peças mais “comerciais” pode ter a ver com a crise que estamos a passar?

É de facto uma coincidência isso acontecer numa altura de carreira em que faz sentido que assim seja.

Nós estamos com 10 anos, portanto fazendo um balanço de tudo, do crescimento e da aprendizagem, vamos aprendendo cada vez mais e diversificando o leque de oferta. Temos uma quantidade de ofertas acessíveis e compreensíveis para as pessoas que nos procuram,

É verdade que os tempos de austeridade influenciam directa e indirectamente a moda mais que não seja pelos fornecedores que são cada vez mais escassos, pelo poder de compra das pessoas que é cada vez mais diminuto e nós não vivemos numa bolha alheios a tudo o que se passa à nossa volta, portanto somos atentos e adaptamo-nos à realidade e vivemos a realidade e inspiramo-nos na realidade.


E vocês acham que fazendo essa ponte com a colecção mais comercial é possível a mais pessoas conseguirem usar moda e as vossas peças?

Sim achamos que sim. Aquilo que as pessoas leem como mais comercial tem a ver com os códigos, com a simplificação, com o depurar da forma e esse depurar é confundido ou traduzido como comercial. Não tem tanto a ver com comercial tem a ver com o depurar da forma. 


Porque motivo escolheram a Raquel Prates?

A Raquel é uma pessoa que nós já conhecemos há algum tempo e que nos cruzamos de vez em quando, não somos muito próximos mas ela é uma pessoa despretensiosa também. Tem um riso fabuloso, é uma mulher admirável, é uma mulher alegre e que tem uma vivacidade fantástica. É bonita mas é bonita no sentido de que é luminosa e portanto incorpora muitos bem os nossos ideais. Por isso é que a escolhemos e é muito significativo para nós.

Tem de haver empatia para as coisas funcionarem estamos muito gratos e orgulhosíssimos por ela ter aceite e ter desfilado.


Qual a inspiração para o vestido da Raquel?

O vestido da Raquel é um vestido recente da colecção de Verão do ano passado. É um vestido que foi inspirado na história da Inês de Castro.


E por fim como é que se imaginam daqui a 10 anos. Têm planos de expansão internacional?

Sim, sim estamos a trabalhar isso tudo mas são coisas que levam tempo, que requerem investimento, que requerem investigação, ter os contactos certos nos mercados. Infelizmente Portugal não tem uma Câmara do Comércio, nem tem um sistema de exportação organizado para potenciar e ajudar os projectos criativos nacionais e o trabalho é muito feito individualmente pelo mercado empresarial e depois não existe um mecanismo legal de facilitar que isso aconteça.

Não estamos a falar de investimento financeiro, podiam por e simplesmente desenhar uma lei que permitisse aliviar fiscalmente a empresa, nomeadamente as empresas portuguesas que produzem em território nacional, que trabalham com matérias-primas portuguesas no que toca ao investimento na internacionalização.

Se de repente a uma empresa portuguesa criativa sem grande poder de investimento lhe for dito que em vez de ter de pagar o IVA ao Estado pode utilizá-lo na própria empresa e fazê-la crescer e desenvolver as tais ligações internacionais que não existem e depois essa mesma empresa em contrapartida aproveitar esse trabalho para ajudar futuros empresários, seria uma troca fantástica. Fica a sugestão feita.



My Make-Up Dior Golden Winter

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